segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Nino, o bezerro menino – Parte 5: A avó Estrela e o avô Fubá e a questão da carne e do leite


Nino gostava muito de visitar a vó Estrela e o vô Fubá no sítio que ficava ao lado da Escola da Roça. Assim como o outro avô de Nino, vó Estrela tinha muitas histórias pra contar. Umas engraçadas e divertidas, outras interessantes e outras tristes também.
Para melhor ensinar seus alunos da Escola da Roça, Nino pedia sempre que a vó Estrela contasse dos tempos em que os humanos, além de se alimentarem da carne dos animais, bebiam também seu leite. Principalmente o das vacas. Nos tempos muito antigos isso era feito de um jeito tranquilo, as pessoas tinham suas vaquinhas e iam até o estábulo pela manhã para retirar um pouco de seu leite com muito cuidado o que não causava problema nenhum nem às mamães vacas e tampouco aos seus filhos bezerros. Mas depois, veio o tempo da ganância, o tempo das cidades grandes com pessoas amontoadas em edifícios e casas coladas umas às outras, sem quintais. Nesse tempo, as pessoas moravam em espécies de caixas de cimentos postas umas sobre as outras e trabalhavam em outras caixas. Não tinham terra e nem tempo. Diziam que precisavam de muita carne e muito leite para poder trabalhar mais e mais.
Foram tempos de alergias, de problemas de estômago e intestino. Foram tempos de muitas doenças e ninguém se dava conta. O pior disso tudo era o jeito que esse leite era retirado das vacas, por meio de máquinas e os bezerros, coitados, era melhor nem falar nada sobre isso.
Eram tempos difíceis para os animais. Até mesmo os cães, que eram tratados como reis nos apartamentos. Sofriam de muita solidão e não gostavam de lembrar da forma que eram reproduzidos em canis especializados, vendidos a preço de ouro.

Eram tempos estranhos. Nino ficava um pouco triste ao ouvir tudo aquilo, mas achava importante que as crianças soubessem o que seus antepassados haviam feito para não repetirem o erro.

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