terça-feira, 27 de janeiro de 2015

NATY QUÉLI NEVE (Drizotti)

Naty era uma menina muito linda. Seu rosto parecia uma pintura, um afresco da Capela Sistina na Itália. Ela vivia rodeada de amigas e amigos numa cidade pacata de um país que se dizia abençoado por Deus e bonito por natureza. Ela concordava, achava o país bonito, mas acreditava parcialmente na tal bênção de Deus, pois sabia que seu povo era muito sofrido e muito trabalhador também. Mas ela estava cansada. Cansada da mesmice, do mesmo trabalho, das mesmas festas, do mesmo sol. Ela queria neve, não aguentava mais o calor, os trópicos, o marasmo, a falta de chuva, a falta de frio. E foi assim que ela resolveu ir pra Boston, uma cidade dos Estados Unidos onde neva muito, onde faz muito frio no inverno.
Chegou lá toda animada, brincou na neve, sentiu a neve, provou a neve, tirou fotos na neve. Ela adorava a neve! Ela amava a neve! Meu Deus, como é bom ter neve!
Acontece que Deus, que na verdade não tem aquela cara brava das pinturas bíblicas e, ao contrário, é um cara gozador e fanfarrão, ouviu muito bem as palavras da menina e resolveu brincar de Deus, ops, ou melhor, brincar de fazedor de neve. E mandou ver! Mandou de presente pra Naty a maior nevasca da história!
Era neve que não acabava mais, neve na porta, neve no carro, neve no telhado, neve até o joelho, era tanta neve que na tarde de terça-feira quando ela saiu de casa, a neve estava até o pescoço!
E Naty dizia: “Estou com neve até o pescoço!”. E o pessoal dizia: “Tá reclamando?” e ela respondia: “Não! Tô adorando! Estou com neve até a altura do pescoço! Graças a Deus!”
E não é que era graças a ele mesmo? Deus tem dessas...

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