segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Cride e Cróc

Era uma vez duas crianças que se chamavam Cride e Cróc. Cride era menino. Cróc era menina. Eram crianças, que, como toda criança, gostavam de fuçar, artear, brincar e rodopiar. Mas aqueles dois eram demais da conta! A avó vivia aos sobressaltos quando eles estavam por perto, de tanta arte, tanta molecagem, tanta azaração! Os primos às vezes se escondiam no porão para descansar lendo um livro ou brincando de algum joguinho, mas eles não tinham parada, era correria e invenção de moda sem fim! Ninguém sabia do que a cabeça deles era feita e nem eles mesmos sabiam até que um dia a verdade se revelou: Era uma tarde de verão. Eles estavam brincando de cavalinho numa mangueira que tinha um galhão atravessado e que dava um molejo gostoso, como se fosse um cavalo galopando. Mas, como vocês já devem ter percebido, eles não se contentavam em simplesmente cavalgar o galho com cuidado e suavidade e sim, pulavam como loucos naquele galho, com tanta força e tanta animação... Lógico que não adiantava ninguém avisar. Eles nem davam bola até a hora em que o galho quebrou, fazendo com que os meninos caíssem com a cabeça bem numa raiz dura que ficava em baixo! As duas cabeças racharam no meio e aí é que chega o momento em que a verdade se revelou... De dentro da cabeça de Cride se esparramavam pedaços de lego coloridos, carrinhos de ferro sem rodinha, bolinhas de gude, indiozinhos de forte-apache sem cabeça, boizinhos de fazendinha sem uma pata e até um peão com cordinha e tudo! De dentro da cabeça de Cróc já era diferente o que saiu: bonequinhas sem braço ou pernas, panelinhas cor de rosa sem cabo, xicrinhas azuis de florzinhas brancas sem asas, mamaderinhas de plástico, chiquinhas de prender no cabelo sem elástico, potinhos de guache seco, contas de vidro prá fazer bijuterias, batonzinho rosinha e até um cachorrinho de pelúcia descosturando! Foi engraçado prá quem passou por lá ver aquelas duas cabeças feito caixa de surpresas abertas mostrando os segredos dos meninos e das meninas do planeta de uma vez só. Sorte que o tio Flávio, que era médico cirurgião, passou por ali bem à tempo com sua maleta de costurar pessoas e deu um jeito de costurar a cabeça das crianças de volta, mas, é lógico! Antes disso teve o cuidado de consertar os brinquedos quebrados, pôs rodas nos carrinhos, braços e pernas nas bonecas e colocou tudo de volta nas cabeças ôcas das crianças que, curioso, ao voltarem a si ficaram bem mais cuidadosas. Algumas pessoas adultas têm parafusos soltos e fazem maluquices. Agora todo mundo sabe que, quando as crianças fazem maluquices é porque elas estão com uns brinquedinhos quebrados lá dentro da cabecinha delas! Qualquer coisa é só chamar o tio Flávio que virou um especialista em cabeças de crianças e sempre dá um jeito quando é preciso! (São Thomé das Letras casa do Argeu, 09/01/04 Estória inventada por causa da mania de Yannick e Bruno de subir no capô da Parati Prata.)

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