quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

RAMPIRO - O VAMPIRO RAMPEIRO

Êta êta êta nóis, eu sou Rampiro - o Vampiro Rampeiro! Acho uma frescura essa estória de Vampiro armofadinha, bem vestido metido a artista de cinema dos firme de Róliúde (Hollywood). Eu sou eu, capote de boiadeiro, carça de cochão véio e bota de Jeca-Tatu. Eu sou é macho! Outra coisa que não tolero é essa idéia de drumi em caixão di difunto, coisa chique de vampiro de cidade grande! Com nóis aqui da roça o papo é outro, nois dorme em rede memo e antes de drumi o costume é balangar bem forte, inté a rede ir bem alto, bem alto no céu. Outro dia eu balanguei tão forte que fui parar na lua! E aí começa a estória: Intonces, cheguei naquele bagúio grande cheio de buraco que o pessoar turma chama de cratera e já dei de cara um um dragão enorme. Oceis pensa que eu fiquei cum medo? Fiquei é nada! Eu tava era morrendo de fome por conta da viagem inté a lua e já grudunhei no pescoço do tar de dragão e bebi o sangre dele. Acontece que o sangue era quente, de modo que eu fui esquentando esquentando até virá uma tocha humana, cheio de labareda pelos cabelo, nas ponta dos dedo, pelos pé! Coisa estranha sô! Enquanto isso o dragão foi esfriando, esfriando e os dente dele viraram dente de dragão vampiro e ele ficou mansinho, mansinho feito um bichim, um gatim roçando meu pé de fogo que foi tão bunito de se vê que meu coração de vampiro foi esquentando tamém e conforme o coração esquentava as labareda das ponta do corpo ia recoiendo até apagar. Foi nessa hora, nessa horinha memo qui eu peguei amor no bichinho. Aquele dragãozão, todo dengoso, roçando minhas perna, parecia inté um fióte, uma criaçãozinha da roça! Minha fome tinha passado, mas minha curiosidade não! Aproveitei a amizade co bicho dragão, muntei nele e ele ficou quétim feito burro manso e lá fomo nói cunhecê a tar de lua. Aquela história de cratera era só numa parte da lua, na outra, que os ingrêis e os miricano chama de “de darque saide ófi de múm” (the dark side of the moon – o lado escuro da lua) era linda de morre! Tinha uns lago verde, mai de um verde feito vidro, verde craro, verde água, transparente e por de drento vinha uma luiz, uma luiz que brotava lá do fundo dos lago e eu que num sô bobo nem nada e que tinha acabado de pegar fogo feito ómi tocha, resorvi mirguiá naquelas água cristalina. Foi aí que o milagre aconteceu... Ni qui o dragão i eu demo um mirgúio, aquela luiz dorada que vinha lá do fundo, subiu feito um raio e incubriu nóis feito bolha de sabão e eu senti uma coisa tão boa, uma coisa que eu já tinha sentido fazia muito muito tempo, dos tempo que eu nem era vampiro ainda. Parecia um colo de mãe, um abraço de pai, uma risada de irmão, um cafuné de vó, misturado com uma história de tia e brincadeira de amigo, tudo junto. E aquilo foi ficando grande que foi tomano conta di eu intêro inté que eu percebi que tava virando gente de novo. Quando oiei, o dragão tinha virado um bichaninho, um gatinho e ni qui nóis fumo subindo pra beira do lago, o raio foi recoiendo e nóis fomo boiano inté a prainha de água branquinha feito tapioca. A úrtima coisa que lembro foi que Nossa Senhora da Conceição, protetora das água doce, apareceu bem no meio do lago, veio inté nóis, estendeu a mão e abençoou nóis. Enquanto isso, feito uma montanha bitela por detráis do lago, São Jorge erguia uma espada pro alto, enquanto seu cavalo rilinchava empinando os casco da frente pra cima. Quando acordei,estava na minha rede, com um gatinho maiado drumindo na minha barriga e minha mãe chamando lá da cozinha, pra eu ir comer tapioca quentinha. Verdade? Mintira? Imaginação? Realidade? Só Deus sabe... (essa história foi criada para/e com meu sobrinho Caio Zurita Fernandes, lá pelos anos de 1997 ou 1998 - Caio falava "Rampiro" ao invés de Vampiro e adorava balançar bem forte na rede)

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