Diana é uma coelha bacana, que tem cara de banana e gosta de chupar cana. Neste blog você irá acompanhar as principais as aventuras de nossa amiga coelha e de outros animais e personagens. São histórias coti-Dianas! espero que goste da nossa querida que sempre segura sua margarida!
quinta-feira, 25 de dezembro de 2014
A HORTA E O JARDIM DE MADALENA
Todo dia, Madalena colhia as flores do jardim para enfeitar sua casa. Em seguida, ia até a horta para pegar as verduras e legumes pro almoço e as frutas para o suco batido no liquidificador. Ela gostava de comer tudo que vinha da horta e sua mãe tinha um jeitinho todo especial de preparar as hortaliças com os temperos frescos e perfumados que ela também colhia do canteiro de ervas em forma de mandala.
(Mandala é um círculo mágico, que pode ser dividido em diversos formatos. A mandala de ervas da mãe de Madalena parecia uma pizza gigante no chão e em cada “pedaço da pizza” estava plantada uma erva diferente para preparo de chás e temperos.)
Mas acontece que nem toda criança é assim, como Madalena, que teve a sorte de acompanhar o crescimento de um legume ou de uma fruta e nem toda criança teve seu paladar acostumado com o sabor dos alimentos que a Mãe Natureza oferece. A maioria das crianças acaba gostando das coisas que a TV mostra, das coisas que tem o pacote brilhante de amarelo, azul, vermelho e prateado, das coisas são especialmente preparadas para viciar e anestesiar o paladar da gente.
Miguel, por exemplo. Ele era um primo de Madalena que morava do outro lado da cidade. Sua casa tinha até um quintal com horta e canteiro de ervas, mas ele só pensava em comer “porcarias”. Gostava de doces, balas, chocolates, salgadinhos, gostava de tudo que vinha em pacotes coloridos e brilhantes. Gostava de salsichas e alimentos enlatados, cheios de conservantes, colorantes, “prispicanti, atordoanti, intoxicanti, refrigeranti, anti, anti”! Miguel não estava nem aí e ainda dizia: “Não vivo sem uma porcaria!”
Certo dia, Miguel foi com sua mãe até a casa de Madalena, visitar o bebê que tinha nascido.
É bom dizer que Madalena estava um pouco de ciumenta com a chegada do irmão. Parecia até que a mãe gostava mais do bebê do que dela, o tempo todo trocando, dando de mamar,segurando no colo, fazendo dormir, etc... mas quando ela chegava perto daquela mini pessoa e via o irmãozinho sorrir ou respirar bem de levinho enquanto dormia, sentia uma alegria e uma calma tão grande que todos aqueles sentimentos ruins passavam e seu coração ficava grandão, do tamanho do mundo!
Bom, como eu dizia, era uma manhã de outono, soprava um vento gostoso e o sol brilhava no céu azul, quando Miguel chegou com sua mãe na casa de Madalena.
Miguel deu uma espiada no bebê e torceu o nariz: “Essa coisinha feia, enrugada, meio chorona, meio molenga não tem graça nenhuma!” - pensava ele enquanto observava, carrancudo, sua mãe toda derretida com o bebê no colo.
“Deixa pra lá!” – disse pra si mesmo. “O jeito é aceitar o convite da prima e ir conhecer o jardim e o quintal da casa”.
Naquele momento, o menino nem sequer imaginava que aquela manhã luminosa iria transformar sua vida para sempre!
Passaram rapidamente pelo meio do roseiral e Madalena pôde observar de soslaio duas joaninhas meio escondidas, dando risadinhas de vergonha ao verem o menino passar. Madalena já sabia que os insetos daquele jardim eram diferentes dos demais mas Miguel nem fazia idéia e virou o pescoço, desconfiado, com a leve impressão de ter ouvido algo, mas depois se distraiu e continuou andando rápido, para não perder a prima de vista.
Ao atravessarem o túnel que a parreira de maracujá formava na entrada da horta, a coisa já começou a mudar de figura , lagartixas, besouros e grilos se movimentavam por entre as folhas da horta procurando se esconder e dessa vez o menino teve a clara impressão de estar sendo observado.
- Tem mais alguém aqui? – perguntou para a prima.
- Depende – repondeu Madalena, sorrindo, misteriosa.
Miguel quis começar a sentir medo, mas a manhã estava tão linda, o cheiro da flor de maracujá era tão gostoso e seu coração estava tão quentinho no peito que o medo não cabia ali de jeito nenhum.
- Tipo, quem? – perguntou o menino com o coração batendo de curiosidade.
- Não olhe direto, disfarce e finja que vai pegar aquela berinjela ali e com o canto do olho dê uma espiada no tronquinho principal do pé de chuchu – cochichou a menina em seu ouvido.
Tudo aquilo era muito complicado! Ele não sabia direito o que era uma berinjela, sorte que a prima tinha apontado com o dedo e ainda por cima ele nem fazia idéia de que chuchu crescia daquele jeito, subindo pela cerca, mas como ele era um menino muito esperto, foi fácil deduzir e qual não fui sua surpresa ao avistar um louva-deus de terno e gravata assoviando enquanto balançava na molinha do chuchuzeiro!!!
Madalena sabia que não era fácil pra ninguém o primeiro encontro com aqueles insetos tão especiais e segurou na mão do menino que suava de emoção e ouvia dentro da cabeça o barulho de seu próprio coração batendo descompassado.
Miguel se acalmou e seguiu Madalena que o condiziu pela mão até um banco grandão de madeira que ficava no canto do jardim. Madalena sentou-se ao lado dele e falou alto, olhando para os canteiros:
- Ele é meu primo! Está afastado da natureza, contaminado pelas porcarias que come e pelo que assiste na TV e nos videogames, mas tem um bom coração e é um guerreiro, dá pra perceber, ele merece conhecer todo mundo!
Depois de dizer estas palavras, Madalena entoou uma melodia linda e aí a magia se fez: lagartixas, besouros, borboletas coloridas, joaninhas, abelhas, louva-deus, libélulas foram surgindo de todos os cantos do quintal, andando pela terra ou batendo asas, bailando, dando cambalhotas no ar, cada um com seu corpinho colorido.
Madalena explicou que cada serzinho daquele cuidava de um tipo de planta, verdura, legume, semente, fruto, flor ou erva medicinal e que suas cores variavam e indicavam a especialidade de cada um.
Miguel ficou maravilhado com tudo aquilo, parecia que estava dentro de um sonho. As libélulas chegaram muito perto e pousaram em seu braço. Explicaram então ao menino tudo que alguém precisaria saber sobre o poder das plantas, a vantagem de se alimentar delas. Explicaram também que quando alguém come, ouve, assiste, fala e pensa muita porcaria, forma-se em volta dessa pessoa uma nuvem cinzenta e que, a medida que a pessoa se purifica, a nuvem vai ficando brilhante, esbranquiçada, azulada, prateada ou dourada e a pessoa fica mais bonita do que nunca.
O menino aprendeu que se purificar era estar perto da natureza, era cuidar de seu corpo, de seus pensamentos, de seus sentimentos até ser como um bebê que respira leve e sorri durante o sono.
Aprendeu também que existem muitas palavras, músicas, livros, imagens, pessoas, locais e, principalmente, alimentos que são purificadores e a que missão que os humanos têm é a de proteger a natureza pura interior e exterior , plantar cada vez mais árvores para fazer o planeta voltar ao que era antes e cultivar cada vez mais bons sentimentos para fazer a humanidade voltar a viver em paz como era antes de todas as guerras.
Miguel estava maravilhado! Quando voltaram para dentro da casa de Madalena, a Tia Cuca, tinha preparado um monte de coisas saborosas, tudo natural, para o almoço deles e Miguel foi provando tudo e ajustando o olhar, o olfato e o paladar para o brilho, para o aroma e para o sabor especial que esses alimentos têm.
Quem conhece hoje o Miguel, não diz que um dia ele foi aquele menino chato e enjoado, viciado em porcarias, bitolado pela violência dos videogames e pelos programas agitados na TV. Hoje ele curte sua horta, com seus insetos mágicos e aprecia com entusiasmo o sabor de tudo que a horta dá!
FIM
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