Diana é uma coelha bacana, que tem cara de banana e gosta de chupar cana. Neste blog você irá acompanhar as principais as aventuras de nossa amiga coelha e de outros animais e personagens. São histórias coti-Dianas! espero que goste da nossa querida que sempre segura sua margarida!
domingo, 21 de dezembro de 2014
Conto de Natal - Grimelda, a vaca de presépio
Grimelda era uma vaca grande, em tamanho natural, feita de uma armação de arames de ferro, fibra e chinile. Mexia a cabeça para um lado e para o outro, como se fosse dizer que não, mas sem dizê-lo. Abanava o rabo tão devagar que, uma mosca nem se assustava e, ao invés de voar, sentava-se nessa cauda artificial como se sentasse num balanço.
Suas engrenagens eram lubrificadas a cada Natal, mas já não tinham o mesmo vigor do princípio, estavam velhas e cansadas de tantos dezembros e, principalmente, por ter que passar o ano inteiro guardada no depósito do shopping.
Crianças, velhos e adultos passavam diante do presépio e se admiravam com o olhar da vaca.
- Que impressionante! Parece que ela é de verdade mesmo!
- Nossa! Olhem pra essa vaca! Só falta falar!
- Mãe, como que a vaca chama?
- Não sei filha, é uma vaca de presépio, nem deve ter nome.
Grimelda ouvia tudo em sillêncio, aprisionada em sua existência de brinquedo.
- Não! - pensava ela - nem brinquedo eu sou. Brinquedos foram feitos para brincar. Mas ninguém brinca comigo. Fico aqui, protegida pela cerca baixa que faz parte da decoração do presépio e pelos vigilantes do shopping que não permitem que as crianças pulem a cerca para me abraçar.
A verdade é que Grimelda era diferente do burrico, das ovelhas, das estátuas de José, Maria, dos Reis Magos e dos Pastores, de tanto ser olhada e amada pelas crianças, a vaca tinha criado uma alma, um coração de onde vertia um poço de sentimentos.
O único que a compreendia era o Bebê Jesus, feito de gesso com uma túnica de cetim cobrindo o corpinho gordo, deitadinho nas palhas de sua manjedoura, com os bracinhos e perninhas estendidos para o alto, tinha recebido ainda mais amor e a confortava dizendo palavras doces e ternas.
Mesmo assim Grimelda não se conformava:
- Jesus Menino, não me importo em ser uma vaca de presépio, não me importo que minhas juntas enferrugem e ranjam mais e mais a cada ano, mas eu só queria falar com as crianças e velhos que passam por aqui!
- Mas Grimelda! - dizia Jesus Bebê - nem as vacas de verdade falam!
- Mas eu não sou uma vaca de verdade!
- Por isso mesmo!
- Um dia, só um único dia conversando com essas pessoas que passam por aqui, queria tanto tanto tanto!
A estátua do Menino Jesus teve pena da vaca Grimelda. Seu coração foi inundado pelo desejo de que, por um dia, a vaca pudesse falar com aquelas pessoas.
O desejo foi tão forte que, de seu pequeno coração de gesso, saíram raios azuis que chegaram até o céu e foram vistos por Jesus de verdade que se compadeceu com a história da vaquinha.
Jesus verdadeiro explicou à estátua de Jesus Menino que concederia a Grimelda a graça de poder falar durante a noite de Natal, só que todas as pessoas que falassem com ela iriam se esquecer de tudo isso no dia seguinte para que não enlouquecessem.
Grimelda esperou ansiosamente por aquela noite, principalmente porque o shopping ficaria aberto 24 horas e muitas pessoas passariam por lá para comprar os presentes de última hora ou simplesmente para passear e esquecer a solidão e a saudade de parentes mortos ou habitando em terras distantes.
Às 20:00 do dia 24 de dezembro daquele ano, o shopping viveu uma noite mágica...
Grimelda não só pôde falar, mas também pôde sair do cercado do presépio e levar as crianças pequenas para passear pelo shopping enquanto os pais faziam compras. Ela lhes falava de amor, de perdão, ela lhes curava as feridas da alma com seu amor imenso, recebido e armazenado ao longo de tantos natais.
As crianças, por outro lado, lhe contavam da vida, das árvores, do céu, do frescor de um banho de piscina, no sabor de um sorvete ou de uma fruta gostosa, lhe abraçavam com tanto carinho que lágrimas de alegria escorriam pelos olhos de Grimelda.
Quando aquela noite acabou, todos foram dormir e quando acordaram, pensaram que tinham sonhado.
E Grimelda?
Grimelda deixou de ser vaca. Sua alma de amor se desprendeu da carcaça de ferro e foi se juntar a Jesus.
No dia seguinte, o funcionário do shopping, se admirou com o estado do chinile gasto do lombo da vaquinha (Pudera! Depois de tanta criança montando!) e pensou:
- Nossa! Não tinha reparado que esta vaca estava tão velha, vou levar para a reciclagem hoje mesmo!
FIM
(Esperando pela Bia Antonini na praça de alimentação do Shopping Iguatemi de Campinas, 13/12/04.)
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