sábado, 20 de dezembro de 2014

GIULIA E CAIO NO MUNDO DOS PALHAÇOS Adriana D.F.Païssé 25/04/97

Estava fazendo um friozinho gostoso, Giulia e Caio foram tomar sopa de feijão na casa da Bisa. Mas a sopa dessa vez era só um pretexto, o motivo principal é que eles queriam ver os quadros de palhaço que a Bisa tinha pintado especialmente para os dois bisnetos. Logo que chegaram, eles foram correndo para a sala das pinturas e lá encontraram as telas com lindos palhaços olhando bem no olho deles. - Enquanto vocês ficam aí olhando, eu vou esquentar a sopa e por a mesa, já volto- disse a Bisa. - Adóio paiaço - disse o Caio - pode pegá? - À pode - disse Giulia que na linguagem do Caio queria dizer “não pode” - senta aí quietinho e olha como seu palhaço é binito, a Bisa já disse que a tinta ainda não secou e não pode por a mão. - Úuuia - (era como ele pronunciava o nome da prima) - o ôio do paiaço tá messendo. E qual não foi a surpresa da menina ao constatar que o palhaço estava piscando os olhos mesmo!!!! - Não tenham medo! Só queremos convidá-los para conhecer o mundo dos palhaços!! - disse o palhaço do Caio. - Vocês vão adorar! Venham! - completou o palhaço da Giulia fazendo sinal com a mão. Giulia não teve tempo de pensar, numa fração de segundos, Caio tinha saído correndo e, num pulo já estava dentro do quadro, no colo do palhaço chamando: - Úuuia, bem no mundo do paiaço! Bem iógo! - (ele ainda não conseguia pronunciar o “v” ). -O negócio é ir mesmo, esse menino é um louco! - e lá foi nossa amiga para dentro da tela. Dentro da tela não tinha separação de palhaços que tinha de um quadro para outro, todos estavam juntos, animadíssimos para mostrar tudo para os dois primos. - Para quem vem de fora, viver nesse mundo parece complicado - o palhaço com roupa de bola era o apresentador e tinha começado a falar - eu vou explicar tudo e vocês vão entender rapidinho. - Pode explicar para mim que sou moça e já tenho seis anos, o Caio é pequenininho e ainda não entende as coisas - Giulia já foi esclarecendo -ele não tem nem dois anos!! - O Caio vai fazê doishh aninho! - repetiu nosso amiguinho que no fundo, no fundo entendia quase tudo e começou a bater palmas e a cantar “Parebéns prá você”. - é pite, é pite, ah, tim, bum, ehhhhhhh! - Pronto! Agora vamos ouvir o tio palhaço falar que seu ainversário ainda não chegou. - Tá bom Úia! Tá Bom. O apresentador contou que lá tudo era ao contrário, se a gente estava triste, ria, se estava feliz, chorava, se estava com raiva de alguém agradava a pessoa e se gostava muito, maltratava. Nisso chegou um palhaço chorando tanto que dava até dó e a Giulia perguntou: - Nossa seu palhaço, porque o senhor está chorando assim? - É porque faz um tempão que eu queria uma gravata nova e agora consegui! - respondeu o palhaço entre soluços. - A sóia paiaço. (tradução do Caiano para o português: não chora palhaço). - Eis um ótimo exemplo! - exclamou decepcionado o apresentador - vocês viram como ele está feliz? Giulia não estava entendendo nada, ou melhor, até parecia que dava prá entender mas não dava prá acreditar. Nem deu tempo de pensar muito e já chegaram dois palhaços gritando, brigando e rolando pelo chão. O Bolento explicou que eles eram super amigos e que era bonito ver uma amizade tão sincera. Logo depois chegou um casal de palhaços abraçadinhos e os outros palhaços contaram que eles não sabiam mais o que fazer para ajudar no namoro dos dois pois era insuportável conviver com tanto ódio, tanta discussão. - Eu não entendo mais nada - disse Guilia desanimada com tanta confusão de sentimentos. - Parece complicado mas não é! - falou o palhaço de listras que até então tinha ficado quieto - você não acha que é bem legal assim? - É iegau! - gritou Caio nos braços de outro palhaço que detestava crianças. Giulia já estava ficando cansada de tanta palhaçada e além do mais ela não conseguia parar de pensar naquela sopinha da Bisa, quentinha esperando. - Olha seu palhaço, muito obrigada pelo convite mas nós já estamos nos atrasando e a sopa da Bisa vai esfriar. Qualquer dia a gente volta para chorar e brigar com vocês tá bom? - apesar de não admitir ela já tinha entendido o espírito da coisa. - Qué comê xôpa! - lembrou o loirinho guloso - O Caio tá cum fome. - Não se esqueçam de voltar, estaremos sempre na parede de seus quartos! - despediu-se o apresentador. - Não vou esquecer, tchau! - Táu, um beso, ti amo paiaço!!!!! E num passe de mágica, lá estavam eles na sala das pinturas e a Bisa estava chamando da cozinha: - Estão surdos? A sopa está pronta, vocês vêm ou não vêm? Guilia deu a mão para o primo e foram prá cozinha encontrar com a Bisa . Enquanto todos tomavam a sopa em silêncio, a menina pensava: “Ainda bem que é só no mundo dos palhaços que é assim, imagine se no mundo real as pessoas fizessem essa confusão de sentimentos que bagunça que seria?” FIM (essa história foi inspirada nas visitas de Giulia Possamai Fernandes e de Caio Zurita Fernandes na casa da bisavó Santa Dezotti que adorava pintar telas com palhaços, rosas, casas e jardins antigos)

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